O espelho que não mente: por que criamos versões de nós mesmas para sermos amadas?
Existe uma ideia na psicanálise, desenvolvida pelo psicanalista Donald Winnicott, que me parece falar diretamente com a experiência de muitas mulheres: o conceito de Falso Self. Winnicott observou que, quando uma criança cresce em um ambiente onde suas necessidades reais não são acolhidas — onde ela precisa ser quieta para não incomodar, alegre para não assustar, forte para não sobrecarregar — ela aprende a construir uma versão de si mesma que serve ao ambiente. Uma versão funcional, adaptada, apresentável. O problema é que essa construção começa tão cedo, com tanta naturalidade, que a gente nem percebe o que está fazendo. Você aprendeu a sorrir quando estava triste?A concordar quando discordava?A diminuir o que sentia para que o outro se sentisse confortável? Se a resposta for sim, você provavelmente conhece bem o seu Falso Self. Ele te protegeu. Durante um tempo, foi necessário. Mas ele tem um custo alto: o distanciamento de si mesma. Jacques Lacan, outro nome central da ps...