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O desejo que arrebata: o que o filme "O Morro dos Ventos Uivantes" revela sobre nós

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Assistir ao filme  O Morro dos Ventos Uivantes (2026) foi, para mim, mais do que acompanhar uma história — foi entrar em contato com algo visceral. A relação entre Heathcliff e Catherine não é apenas intensa; ela é excessiva, inquietante, quase impossível de ser contida dentro de limites saudáveis. E talvez seja justamente isso que mais nos captura. Existe, nessa narrativa, um tipo de amor que não se organiza, não se mede, não se negocia. É um amor que invade, que domina, que insiste — mesmo quando fere. E ao me perceber tão atravessada por essa história, uma questão se impôs: por que esse tipo de amor nos toca tão fundo? E, especialmente, por que parece tocar ainda mais profundamente muitas de nós, mulheres? Sob o olhar da psicanálise, o desejo ocupa um lugar central na nossa vida psíquica. Mas não um desejo simples, direto ou plenamente realizável. O desejo humano é marcado pela falta, pela incompletude, por algo que nunca se satisfaz completamente. E talvez seja por isso que hi...

O espelho que não mente: por que criamos versões de nós mesmas para sermos amadas?

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Existe uma ideia na psicanálise, desenvolvida pelo psicanalista Donald Winnicott, que me parece falar diretamente com a experiência de muitas mulheres: o conceito de Falso Self. Winnicott observou que, quando uma criança cresce em um ambiente onde suas necessidades reais não são acolhidas — onde ela precisa ser quieta para não incomodar, alegre para não assustar, forte para não sobrecarregar — ela aprende a construir uma versão de si mesma que serve ao ambiente. Uma versão funcional, adaptada, apresentável. O problema é que essa construção começa tão cedo, com tanta naturalidade, que a gente nem percebe o que está fazendo. Você aprendeu a sorrir quando estava triste?A concordar quando discordava?A diminuir o que sentia para que o outro se sentisse confortável? Se a resposta for sim, você provavelmente conhece bem o seu Falso Self. Ele te protegeu. Durante um tempo, foi necessário. Mas ele tem um custo alto: o distanciamento de si mesma. Jacques Lacan, outro nome central da ps...