O desejo que arrebata: o que o filme "O Morro dos Ventos Uivantes" revela sobre nós
Assistir ao filme O Morro dos Ventos Uivantes (2026) foi, para mim, mais do que acompanhar uma história — foi entrar em contato com algo visceral. A relação entre Heathcliff e Catherine não é apenas intensa; ela é excessiva, inquietante, quase impossível de ser contida dentro de limites saudáveis. E talvez seja justamente isso que mais nos captura. Existe, nessa narrativa, um tipo de amor que não se organiza, não se mede, não se negocia. É um amor que invade, que domina, que insiste — mesmo quando fere. E ao me perceber tão atravessada por essa história, uma questão se impôs: por que esse tipo de amor nos toca tão fundo? E, especialmente, por que parece tocar ainda mais profundamente muitas de nós, mulheres? Sob o olhar da psicanálise, o desejo ocupa um lugar central na nossa vida psíquica. Mas não um desejo simples, direto ou plenamente realizável. O desejo humano é marcado pela falta, pela incompletude, por algo que nunca se satisfaz completamente. E talvez seja por isso que hi...